segunda-feira, 17 de julho de 2017

Escaparate de ilusões

Atardo-me junto aos cremes de beleza, baralhada ante a variedade de marcas e a variedade de gamas em cada marca. Interesso-me pelas embalagens que prometem combater as rugas, pelas que asseguram esbater as manchas, pelas que afirmam reafirmar a pele, pelas que elevam a expectativa no levantar do que vai decaindo, pelas que preenchem a credulidade da reversão de uma certa perda de volume. Pego numa e noutra, e noutra ainda. Concentro-me na leitura dos rótulos tentando perceber qual mais me convirá. Analiso os destaques dos ingredientes. Aqui um ácido hialurónico, ali um colagénio. Procuro as indicações por idade, os a partir de e os entre esta e aquela. Procuro as indicações por tipo de pele. Leio cada linha, cada promessa. Atardo-me junto aos cremes de beleza, indecisa na escolha que hei de fazer, procurando a mais convincente jura de rejuvenescimento. Leio sabendo perfeitamente que, deste escaparate de ilusões, tanto me valerá este como aquele, que o tempo é uma miragem e que as palavras que em cada embalagem me acenam são menos que isso ainda. 

domingo, 16 de julho de 2017

sábado, 15 de julho de 2017

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Ir aos arames


Bailamos?

Livros

O que me dá prazer não é o vinho, não!
Nem a música, nem o canto.
Apenas os livros são o meu encanto
E a pena: a espada que tenho sempre à mão.


Al-Kutayyir

in Alves, Adalberto, O meu coração é árabe: a poesia luso-árabe, Assírio & Alvim,1987, p.138

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Arjamolho *

Tomates maduros, mas rijos, pimento verde, pepino, cebola, todos muito bem picadinhos em pequenos cubos, vão se acomodando numa saladeira xxxl. Ponho o pão, de preferência duro, também cortado aos cubos, a fazer-lhes companhia. Chegam depois os temperos de sal orégãos, azeite e vinagre. Todos juntos e misturados que estão, afogo-os em basta água fria. Muito fria. Com gelo se preciso for. Fica pronto o arjamolho, amigo dileto da sardinha assada que, por estes dias de verão, marca presença assídua por aqui.  Bendigo o arjamolho, verdadeiro super-herói dos dias em que se abre a torneira e até a água fria sai quente. 

* que é como quem diz (em algarvio) gaspacho.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Anoitecer

Leio debaixo do telheiro onde os pardais ocupas já se acomodaram para passar a noite. Aproveito a pouca claridade que ainda resta do dia a declinar. Dispenso-me de acender a luz na vã tentativa de não atrair tantos mosquitos. De nada me vale o estratagema porque até nas páginas do livro vêm pousar. São mosquitos leitores, deduzo. Nas paredes atrás de mim as osgas posicionam-se para a caça. Alimento a esperança de que os mosquitos lhes constituirão o repasto. São duas osgas. Os mosquitos, concluo, são muitos mais e nem as osgas dão conta deles. Não há sopro de vento. Os tweets das andorinhas já pararam faz tempo deixando o palco para as cigarras que cantam, ruidosas, num verdadeiro desconcerto. Um avião sobrevoa o meu espaço aéreo. Anoitece. Assumo que perco a guerra contra os mosquitos não sem antes fechar o livro na cara do último que me ataca. Ficou a saber que o livro é meu e que não estou disposta sequer a emprestar-lho.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

segunda-feira, 3 de julho de 2017

domingo, 2 de julho de 2017

Passeio de domingo (364)


Um passeio que se resume ao regresso da praia no fim da tarde. A praia é a Rocha Baixinha, Albufeira; o acesso que hoje usei, para cá da ponte sobre a ribeira de Quarteira, é Vilamoura, Loulé. 








sábado, 1 de julho de 2017

Sabza Ba Naz (The Triumph of Love)



Para descobrir, hoje, aqui.

Distraída

Eu saber, até sabia. Só não pensei no que significava ser hoje sábado, dia 1 de julho, dia de começo de férias no Algarve para muitos, até chegar ao supermercado. Quem me manda ser distraída?

Experimentação

Ainda gostava que me explicassem porque é que um homem, de quarenta, cinquenta anos, que tem o cabelo grisalho é charmoso e uma mulher da mesma idade que se apresente com brancos é velha. Como ninguém me consegue explicar, a não ser dizendo porque sim, resolvi entrar no campo da experimentação e testar-me a mim própria para perceber de quantos anos vou envelhecer nos meses que vou levar até desvendar todos os brancos que já tenho.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Sono bom

Na maior parte das vezes é recostada na cama que leio. Já aqui o disse, mas se calhar os blogs, tal como a vida, são lugares de repetição. Repito-o, portanto. Gosto de ler com a cabeceira da cama e a almofada por encosto. Dependendo do livro e dos dias, ou melhor dizendo das noites, e do meu grau de cansaço, assim posso estar até já não poder estar com o posterior dormente do afinco na posição, como posso, em pouco tempo, descair mole e lentamente, para a esquerda ou para a direita, levada pela força de Hypnos e pela chamada de Morfeu. No segundo caso fico a dever à leitura, mas não ao prazer. Aquela sonolência que se apodera de mim até me agrada. Fico ali, no aconchego da almofada, agarrada ao livro. Se ele me escorrega ligeiramente da mão e perco a página onde ia logo volto à vigília, procuro o lugar onde me encontrava, releio o parágrafo já lido e sigo no enredo até a os olhos começarem a fechar-se de novo e a cabeça descair. Assim fico, neste vai e não vai, neste lê e não lê, neste dorme e não dorme, sempre agarrada ao livro, sentindo-lhe a maior ou menor dureza da capa, a maior ou menor espessura das folhas, o cheiro do papel mais ou menos intenso, mais ou menos velho, escorregando na cama, puxando a almofada, ajeitando o corpo. É um sono bom este que me dá quando abraço um livro.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Habitar uma pausa



























Desejaria habitar uma pausa da folhagem
em que estar seria adormecer o ardor intenso
espalhando-o na brisa com a leveza da paz.
Estar, estar deslumbrado, difundido,
estremecendo na igualdade pura do corpo ao espaço,
fluindo no serpenteamento dos leves labirintos,
ampliando no nimbo a intensa influência
da remota matéria no enigma da presença.
Reina o silêncio numa surpresa imóvel
e cresce na sombra uma serena cascata
em que já não há diferença entre o sonho da vida
e o corpo feliz da inteligência.

António Ramos Rosa

Facilidade do Ar, Ed. Caminho, 1990.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Barrela

Saí à rua, já ao crepúsculo, e as cores do céu falaram comigo dizendo-me que estavam mortinhas para deslizarem até à minha folha de papel virtual, onde se acomodariam, se possível numa forma poética, para gozo dos olhos em breve leitura. Acenei-lhes que sim, que, entretanto, se podiam acomodar no meu bolso porque ainda me faltava tratar de alguns assuntos práticos, imprescindíveis e inadiáveis. E lá voltei para casa onde tinha desde ontem uma fronha ensaboada de azul e branco, daquele azul e branco que costuma comer manchas e amarelados diversos. Dediquei-me, pois, a esfregar a fronha. Um pouco mais de água, força nas mãos, esfrega de um lado, esfrega do outro, enxagua uma, enxagua duas, torce bem, torce melhor, estende, observa… Ainda não está como deve. A pensar nas cores do céu poente ainda em sossego na algibeira, decido-me por colocar a fronha de molho mais alguns minutos, desta vez com o auxílio da lixívia. É lixívia perfumada, mas mesmo assim é pouco poética. Enquanto a fronha branqueia, temo pelas cores do poente que, não tarda, se transfigurarão em noite escura. Ainda chego de fugida ao branco da folha e tento resgatar o encantador lusco-fusco das profundezas do meu bolso. A operação não corre bem e já os minutos de demolha da fronha se esgotam. Retorno ao alguidar e às águas correntes. Depois de muitas águas passadas, de espremida e torcida a fronha, volto à rua, rumo ao estendal. As cores do céu desvaneceram-se, a noite caiu e nem a lua, que hoje se oferece como vírgula para pontuar o texto, me resolve a situação. Conformo-me. Não há poesia que resista a uma barrela.

Delito de Opinião

Hoje escrevo na rubrica de convidados do blog Delito de Opinião.
Obrigada, Pedro Correia, pela oportunidade que me dá de pisar a vossa passadeira vermelha.

domingo, 25 de junho de 2017

Passeio de domingo (363)


Num dia em que o tempo para passeio foi diminuto, tratei de  ver, mais uma vez, como estava o campo aqui nas imediações de casa.









sexta-feira, 23 de junho de 2017

De novo as noites quentes

De novo as noites quentes e debruço-me na varanda sobre a diminuta luz de um ocaso sem rubro no céu. As paredes quase queimam, ainda. Sinto-lhes o bafo de encontro ao meu ventre enquanto apoio os braços no rebordo que me separa do ar. Lá em baixo ouve-se um frescor. A água da rega canta num doce murmúrio enquanto anima as dálias do canteiro que borda a rua. E as roseiras. E os brincos-de-princesa. Queria-me agora flor, de pés firmados na terra molhada. Queria-me agora flor recebendo as gotas aspergidas pelas mangueiras. Acende-se, entretanto, o candeeiro público, aqui junto ao meu quintal. Cai a noite. Cessa a rega. Cantam os grilos.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Verão

Verão 1

Neste começo deste verão, a longa história da minha terra mostra-se em Lisboa, no Museu Nacional de Arqueologia. Parece que tenho um ano para visitar a exposição. Faço a mim própria um aviso: Vê se não deixas para o último dia.

Verão 2

Como acredito que o tema férias interessa a muitos, como acredito que muitos virão passá-las na minha terra, como acredito que sugestões são sempre bem-vindas, partilho as que, ao que parece, irão semanalmente ser dadas aqui como #achadosasul.

domingo, 18 de junho de 2017

Passeio de domingo (362)


Um giro repartido entre Santa Luzia  e a Fuzeta, num horário pouco propício à fotografia.