terça-feira, 23 de maio de 2017

domingo, 21 de maio de 2017

Passeio de domingo (358)



Hoje são fotos do dia. O passeio foi curto, apenas até à cerca que separa a horta da estrada, porque não quero já aventurar-me por terrenos acidentados. Os limões são o motivo do post, especialmente dedicado à Manu que, há uns meses atrás, pediu para vê-los aqui em fotografia. Para acompanhá-los, deixo também as amoras que estão agora a amadurecer.









sexta-feira, 19 de maio de 2017

Da voz das coisas

Só a rajada de vento
dá o som lírico
às pás do moinho.

Somente as coisas tocadas
pelo amor das outras
têm voz.

Fiama Hasse Pais Brandão

Filhos do desespero

Para quem ainda não se deu conta deste projeto solidário, mostro aqui o caminho para saber como apoiá-lo.

O início
Assim também





quinta-feira, 18 de maio de 2017

Ceci n'est pas un ciel

Queria tê-lo contado ontem mas não calhou. Queria tê-lo contado ontem mas, no programa do fim de tarde não coube mais nenhuma alteração ao previsto. Nem no programa da noite. Talvez o devesse ter fotografado para o contar hoje mas a pressa desviou-me da intenção. Agora não há nada a fazer. Quando olhei hoje para o céu apenas vi o azul sem padrão e sem limite. O vento tem soprado forte e é ele o provável culpado da mudança. Deve ter levado para outras latitudes as pequenas nuvens brancas que ontem se distribuíam harmoniosamente pelo céu das sete da tarde, quando eu vinha de regresso a casa. Então, fiz esse caminho sob um autêntico céu de Magritte. Agora, não me conformo por ter perdido a oportunidade de o fixar para sempre.

terça-feira, 16 de maio de 2017

(en)cantos

              deixa que te conte
                                    o quanto 
                                           me encantam
                                                          os contos
                                                                   que cantas
                                                                                por conta
                                                                                          do amor

domingo, 14 de maio de 2017

Passeio de domingo (357)



A sentir que já faltou mais para voltar às lides, fica aqui um passeio que ainda recuperei dos restos de coleção de maio 2015.  Esta é a praia da Falésia, uma das que mais frequento. 








sexta-feira, 12 de maio de 2017

Fisioterapia

Na marquesa ao lado, cortina corrida, máquina de drenagem linfática ligada, respiração funda e pouco depois o homem já ressona. Na marquesa da frente a terapeuta massaja outro paciente e não parece ouvir o homem que adormeceu. Ainda bem. Se ela ouvisse, parece-me que me sentiria incomodada, como se por proximidade eu devesse ficar com vergonha dos roncos do vizinho.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Gourmet


Sirvo-te hoje a lua, em cama de noite escura com leve espuma de nuvem e crocante de sonho.

Conferência

O orador fala com a mão na frente da boca cofiando o bigode. Fala, monótono, sem fio condutor nas palavras que, coitadas, se perdem no ar, impossíveis de agarrar pelos ouvintes. Esses começam a falar em cochichos, a consultar os telemóveis, a escrever nos tablets, nos cadernos, a tossir, a dormir. O tema é a paisagem mas ninguém a consegue ver. Duvido até que o próprio orador a veja.

domingo, 7 de maio de 2017

Passeio de domingo (356)


Enquanto não regresso aos passeios, de verdade, continuo a voltar atrás no tempo. Mais uma vez estou em maio 2014, com vista para a praia dos Arrifes.








sexta-feira, 5 de maio de 2017

Aroma

É desde cedo, pela manhã, que me chega um aroma de ti. Chega-me no café que faço, colheres cheias deitadas na cafeteira, água fervente derramada com vagar, em fino fio que ponho a rodar sobre a moagem escura até que se dilua e forme uma pequena camada de espuma que, por fim, tapo e calco lentamente. Chega-me também no cheiro dourado do pão que torra, na manteiga que se derrete, na frescura da polpa de uma papaia. Chega-me, depois, na claridade do dia que me envolve à saída de casa e no verde das árvores que correm, mais ou menos velozes, em cada lado da estrada. Esse aroma verde chega-me pelo canto do olho que não se quer distrair do carro da frente mas que se encanta de bom grado com o colorido de uma ou outra flor silvestre que nele se intromete. Como se me perseguisse, chega-me um aroma de ti no tom lilás dos jacarandás que já florescem na cidade, na algazarra dos miúdos que chegam às escolas, no eco dos pavões que ouço no jardim, no desenho de um ninho de cegonhas encostado ao campanário da igreja. Até nos papéis dos processos e nas folhas do caderno de apontamentos, o sinto. Acompanha-me ao longo do dia e ainda agora o sinto. Esse aroma, já percebi, colou-se-me definitivamente à pele.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Metades

Tenho um quadro para pintar. Pinto-o apenas com duas cores. Pinto metade da cor do céu quando o sol já declina e o azul empalidece. A outra metade é de ouro claro como são as gramíneas que já vão secando e cintilando nas bermas das estradas. Duas cores chegam bem para completar a obra. Tudo pode ser medido em metades. As duas metades de um quadro. Nós dois, metades de um sonho.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Quem não tem papagaios amanha-se com...


Eis a minha "A velha e as vacas",  criação rústica que almeja juntar-se à coleção "A corrente da Palmier a partir da obra prima Senhora dos Papagaios".

Para visitar a exposição:
A fabulosa Mestra Palmier com a Senhora dos Papagaios
A fantástica seguidora cubista Mirone
A magnífica Flor, criadora do Imperfeccionismo
A excelente artista Ana e a instalação solidária 
O inimitável Manel Mau-Tempo e a sua interpretação marinha

E para além da contemplação das obras visuais, para se perceber a verdadeira razão das coisas, é imprescindível ler Cuca, a Pirata contadora de histórias

E porque esta corrente está em crescendo, este passa a ser um post em permanente atualização. Aqui ficam mais obras de arte a não perder:
Senhora angular com malinha amarela, da Calíope
Bicos de papagaio, da Linda Blue com uma mãozinha o Pablito
Papagaios-mocho da Maria Eu, ou quando a realidade ultrapassa a ficção
A Senhora dos papagaios falantes da Be
Os papagaios de papel da M.D.Roque
A obra "Emancipação" da Cláudia Filipa
E outras técnicas ainda, por Diz que é blog
A senhora, os papagaios e a malinha oreo da Mam'Zelle Moustache

domingo, 30 de abril de 2017

sábado, 29 de abril de 2017

Dança comigo


Risco
Rabisco
Torço
Distorço
Rolo
Enrolo
Corto
Encorpo
Pinto
Finto
Desminto
Toco
Retoco

Fixo-te numa dança só para mim.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Ai o pão, o pão...

Recostada na marquesa, com os elétrodos colocados no pé, a corrente a formigar por ali, fico atenta aos movimentos dos terapeutas, à música que passa no rádio e até às conversas que passam, claras, através das cortinas que separam cada gabinete de tratamento.

A paciente que acaba de chegar é mais faladora que os outros. O tema peso e cálculo do índice de massa corporal arrasta-a para o tema dos folares que ela nunca comia mas aos quais agora não resiste. No outro dia, até comeu um inteirinho. Era um folar com pouco doce. Ela não gosta de muito açúcar. Mas comeu-o todo de uma vez. E o pão? Ai, senhores, o pão! Não lhe tirem o pão. Se precisasse de cortar no pão para uma dieta qualquer não faria dieta. Impossível. Explica que costuma comprar um, excelente, ali numa zona que ela identifica mas que eu não conheço. Um pão pequeno que custa noventa e cinco cêntimos e é delicioso. Do que mais gosta é de comer pão, barrado com manteiga, e com uvas.  Gosta de comer pão com tudo. Até de comer pão "às secas" que é como quem diz sem nada.

Entretanto a corrente formiga-me no pé e agora é a fome - o lanche de uma banana só já vai longe - que começa a formigar-me no estômago, acicatada por tanto pão fresco que a conversa deixou pairando no ar.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Amar abril

Abril chegou-me ainda gaiata a querer ser mulher. Abril chegou-me, de longe, a dois mil quilómetros de distância, sem alarido maior e numa leve inconsciência do que rasgava, do que trazia, do que abria, do que soprava então. Só nas férias grandes dei um pouco mais por ele. Vi-o em agosto, pespegado nos olhos dos casais de namorados que, nas ruas das aldeias portuguesas, se mostravam ao mundo, já sem sombra de pudor.  


Abril

No teu sorriso, o rubro do cravo
No teu olhar, a luz de ser livre
No teu abraço, o conforto seguro
Na tua mão, a força de seguir
Na tua presença, o tempo de amar
No teu beijo, um fruto doce e maduro.

domingo, 23 de abril de 2017

Passeio de domingo (354)



Aproveito um passeio de domingo que estava nos rascunhos do blog desde o final do verão passado. Melhor dizendo, já era outono, porque foi em outubro, num dia em que os nadadores-salvadores da concessão arrumaram as espreguiçadeiras para o fecho oficial da praia. Aqui fica, antes da abertura oficial que já não tarda.