quarta-feira, 28 de junho de 2017

Habitar uma pausa



























Desejaria habitar uma pausa da folhagem
em que estar seria adormecer o ardor intenso
espalhando-o na brisa com a leveza da paz.
Estar, estar deslumbrado, difundido,
estremecendo na igualdade pura do corpo ao espaço,
fluindo no serpenteamento dos leves labirintos,
ampliando no nimbo a intensa influência
da remota matéria no enigma da presença.
Reina o silêncio numa surpresa imóvel
e cresce na sombra uma serena cascata
em que já não há diferença entre o sonho da vida
e o corpo feliz da inteligência.

António Ramos Rosa

Facilidade do Ar, Ed. Caminho, 1990.

11 comentários:

Manu disse...

Um poema lindo de um poeta que admiro.

Beijinhos Luisa

Gaja Maria disse...

Tão bonito :)

Benó disse...

É sempre agradável passar por aqui. Um abraço, Luisa.

Victor Barão disse...

Profundo!

Abraço :)

Pedro Coimbra disse...

Chapeau!!

Eros disse...

Palavras que respiram.

Elvira Carvalho disse...

Mais do que um poema, é um suspiro de alma.
Abraço

Laura Ferreira disse...

também não me importava de a habitar... :)

bea disse...

Eu gosto de António Ramos Rosa mas a poesia dele é-me às vezes difícil

Chic' Ana disse...

Muito bonito!
Beijinhos

Ricardo Santos disse...

Excelente Ramos Rosa e lindíssima foto Luísa !